Morte de Inês de Castro

A morte de Inês de Castro é um dos mais belos episódios líricos presentes na epopeia e pode-se mesmo considerar que as principais características da tragédia clássica estão patentes:

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Há o desenvolvimento de uma acção, que termina com a morte da protagonista;

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Observa-se a lei das três unidades (acção, tempo e espaço);

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Há uma motivação para sentimentos de terror e piedade pelo uso de contrastes;

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A catástrofe é simbolizada pela morte da protagonista.

 

Tal como o episódio da “Fermosíssima Maria”, também este se divide em três partes.

A primeira, referente as causas da morte de Inês, vítima do amor.

A segunda, constitui o desenvolvimento em que se descreve o modo de vida feliz e despreocupado que Inês tinha em Coimbra - é apresentada a razão de estado para que Inês deixe a vida, pois o perigo que representa a ligação de D. Inês com D. Pedro, receia o domínio espanhol.

O poeta põe em questão a grandeza moral do Rei por solucionar o problema de seu reino mandando matar a sua própria filha:

“Tirar Inês ao mundo, determina”;

“Que furor consentiu que a espada fina,

Que  pôde sustentar o grande peso

Do furor Mauro, fosse alevantada

Contra üa fraca dama delicada?”.

Também nesta segunda parte é redigido o discurso suplicante de Inês ao rei de Portugal, seu pai. Ela utiliza súplicas e argumento para comover o Rei na sua determinação - apresenta a sua situação de mãe e a orfandade de seus filhos, declara-se inocente perante toda a situação de futuro conflito, comove o rei dizendo-lhe que sendo um cavaleiro que sabe dar morte, também sabe ”dar vida, com clemência” e como alternativa à morte, dá preferência ao exílio.

A terceira e última parte, constitui a reprovação do narrador, sublinhada pelo pranto comovente das “filhas do Mondego” e pela animização da Natureza, que chora a morte de Inês, sua antiga confidente.