A Fermosíssima Maria

A Fermosíssima Maria, filha de D. Afonso IV e rainha de Castela, foi quem suplicou a seu pai que ajudasse D. Afonso XI na luta contra os Mouros. Atendendo às suplicas de Maria, Afonso IV avança com o seu exército de modo a ajudar o seu genro.

Este episódio divide-se em três partes. A primeira parte (introdução), em que Maria entra “polos paternais paços sublimados“, e o poeta faz uma descrição física e psicológica utilizando recursos estilísticos como o pretérito imperfeito do indicativo para sugerir continuidade, a adjectivação, começado pelo superlativo absoluto sintético “fermosíssima”.

A segunda parte constitui o discurso de Maria, em que ela apresenta argumentos, de ordem política e de ordem pessoal, para convencer o pai. Engrandece o poder do “grão rei de Marrocos” que “a vivos mete medo e a mortos faz espanto”, responsabiliza o pai pela sua situação futura: “Aquilo que me destes por marido / (…) ser privada”.

Faz-lhe ver o pequeno poder de Castela: “Co pequeno poder, oferecido / Ao duro golpe da Maura espada” e chama a atenção para a sua situação de esposa, rainha e mulher.

Põe em evidência a sua bravura: “Portanto, ó Rei, de quem com puro medo / O corrente do Muluca se congela”, apelando ao amor do pai: “Se esse gesto (…) / verdadeiro amor assela”.

Por fim, a terceira parte, representa uma conclusão em que o poeta compara a súplica de Maria junto do pai ao pedido de Vénus a Júpiter, para que este socorra Eneias.

Há aspectos em que as duas figuras se aproximam: ambas suplicam ajuda ao pai, o estado de espírito em que se lhe dirigem são comoventes, ambas conseguem os seus objectivos.

Há também aspectos em que se afastam. Maria afirma-se como esposa, filha e mãe, portanto, como mulher e figura histórica; Vénus, por outro lado, serve-se de todo o seu poder de Deusa do Amor e da sedução para influenciar o pai dos deuses.